domingo, novembro 18, 2007

PAULO DUBOIS - PRESIDENTE DA LIGA NACIONAL DE JUDÔ


O Judô Pernambuco tem adotado uma postura democrática e respeitosa ao Judô, e já publicamos entrevista com o Presidente da CBJ, não poderíamos nos furtar a publicar também uma entrevista com o Presidente da Liga Nacional de Judô, permitindo que o mesmo possa expressar suas opiniões ao questionamentos.
Por que foram criadas as Ligas Estaduais e qual o objetivo da Liga Nacional?
As Ligas de Judô nos Estados foram criadas e estão em pleno crescimento. Primeiro por força da Lei que garante a sua existência e independência como entidades de administração estadual e nacional do desporto. Também pela vontade de uma parcela considerável de grandes Mestres, Professores e comunidade judoística em geral, interessados na valorização, e engrandecimento do Judô. Para a formação de atletas de alto nível, com a preocupação na melhoria da qualidade do ensino, trabalhando pela padronização dos seus métodos, resgatando o Judô-base. A inclusão social é outra bandeira. Nas Ligas atuamos com muitos projetos sociais. É gratificante ver o convívio, a integração e o respeito dos atletas, independente da sua classe social. Em nossas competições a diferença é a dedicação e competência do atleta.
A Liga Nacional de Judô–Brasil é a entidade nacional que congrega as Ligas Estaduais. O seu objetivo maior é a expansão sistemática das Ligas no Brasil, dentro de uma dinâmica de trabalho totalmente identificada com a filosofia do Judô. A Realização, em nível nacional, de Seminários, Cursos, Kangeikos, Shotsugeikos e demais eventos para a melhoria do nível técnico dos nossos Professores e Atletas, tem propiciado um crescente aprimoramento da nossa modalidade esportiva. Temos cumprido um calendário nacional arrojado, rico em competições, cada vez melhor, mais organizado e mais participativo. A administração transparente, focada no Judoca é outro ponto fundamental. Todas as decisões para as ações da LNJ-BRASIL, neste ano de 2007,foram previamente aprovadas na Assembléia de 2006. No último dia 02 de novembro, em Assembléia Geral realizada em Aracajú - SE, foram definidas as diretrizes políticas e a estrutura administrativa da Entidade. Naquela oportunidade foi aprovado, por unanimidade, o Calendário de Eventos para 2008.
Como V.Sª. analisa a exclusão dos atletas, ligados à Liga, de Competições como o Panamericano e as Olímpiadas?
Não vejo exclusões. Existem tentativas isoladas. A participação dos atletas das Ligas já está acontecendo. Discretamente. Fatalmente acontecerá em massa. Temos agora outros objetivos, estamos consolidando as Ligas nos Estados, utilizando os dois maiores recursos que temos: a Lei e a filosofia do Judô. Como é maravilhoso poder fazer “O MELHOR USO DA FORÇA”, legado que nos deixou o Mestre Jigoro Kano. Não creio em dificuldades para o diálogo. A própria filosofia do Judô o recomenda. Buscaremos todos os meios para garantir aos nossos atletas os seus direitos. O que estamos verificando, com muita alegria, é o início de um novo tempo, onde o Judô poderá mostrar para a sociedade a coerência dos seus princípios e nós, os dirigentes, temos que dar o exemplo.
No site de discussão CEVJUDO, há a seguinte afirmação: Em alguns eEstados as Ligas Estaduais agregam a grande maioria da comunidade do Judô.
Em Pernambuco, Bahia e Roraima cerca 80% dos judokas estão nas ligas. Em Sergipe 99%. Esta afirmação corresponde a verdade?
Trata-se de uma realidade irrefutável. É natural e importante que aconteça. Quem ganha com isso é o Judô, é o atleta, é a própria comunidade. Existem Federações que realizam um trabalho muito competente e profissional, mas nem por isso as Ligas nesses Estados estão fracassadas. Este fato também ocorre de maneira inversa. A Lei que outorga às Ligas o status de Entidade de administração do desporto é relativamente nova. É natural, portanto, este período de adaptação à coexistência entre as duas Entidades. Convém não esquecer a existência de um espaço imenso para o crescimento de todos. Não há mais espaço, na minha opinião, é para a posturas ditatoriais, truculentas e irresponsáveis de dirigentes identificados com o passado. É preciso olhar para a frente, para o alto, para o imenso contingente de jovens que almejam adotar o Judô como o seu esporte. Não podemos nem pensar em divergências, ódios e rancores pessoais. Urge reconhecer a grande verdade: o Judô é maior do que cada um de nós.
Conheço muitos judocas que gostariam de participar da Liga Pernambucana, mas pela falta de visibilidade e não poder participar de competições reconhecidas pelo COB, e portanto, não poderem ter o benefício da Bolsa Atleta, não o fazem. O que V.Sas. tem a falar a esses atletas?
Em relação à Bolsa Atleta estadual, é do conhecimento público, que estes benefícios chegarão aos atletas das Ligas no Brasil. A emenda modificativa à lei é mais uma importante conquista do nosso Sistema. O que precisa é a simples iniciativa junto à Assembléia Legislativa de cada Estado, para a efetivação da emenda, a exemplo de Pernambuco e Distrito Federal. Quanto à Bolsa Atleta Nacional, estamos em entendimento com o Ministério do Esporte para a correção, se possível ainda este ano, do equívoco no anexo à Lei que a institui. Vale lembrar aos atletas que a Constituição Brasileira garante ao cidadão a liberdade de associação. Finalmente quero afirmar que a LNJ-BRASIL vem estreitando a convivência harmônica com as demais entidades, principalmente com a sua base, que são os colegas professores de Judô. Cito como prova o número crescente de atletas filiados às Federações, que participam das nossas competições, onde são muito bem acolhidos.
Pietro Garcia

3 comentários:

Anônimo disse...

Pietro,

Afinal, você é ligado a Federação ou a Liga.

Você defende a Liga e condena a Federação?

Qual sua posição afinal?

Pietro Garcia disse...

Caro Alexandre,

Este é um espaço onde as pessoas que nos dão o prazer de publicar entrevistas, expõe seus pontos de vista, o qual temos de respeitar, concordando ou não.

O Estado Democrático, a Cidadania, o respeito, a ética é um dos pressupostos necessários para a convivência entre contrários.

Temos a obrigação de respeitar suas opinições concordando ou não, e não cabe a mim, censurar, direcionando o que deve ou não deve ser dito.

Anônimo disse...

Esta de parabéns o Professor Dubois, pela sua postura lúcida, democrática e elevada em relação ao judô brasileiro. A sua postura de estadista é totalmente antagônica a adotada pela CBJ.
É muito bom saber que existem pessoas que trabalham por objetivos realmente identificados com a filofia pura do judô.